terça-feira, 22 de novembro de 2011

A garota-vocativo.

Sorriso fácil,
abraço sincero,
olhar confortante
e alma transparente.

Chega mansa, quase silenciosa.
E tem jeito de moleca.
Quando dá por si, ocupou vazios.

No pé, joanetes.
No rosto, bochechas rosadas sempre prontas para gargalhar.
No pé do ouvido, a felicidade cantando.
Na ponta dos dedos, o batuque da música preferida.

O vestido lembra um balão.
Mas ela não precisa disso para alçar voo.
Basta imaginar.
Ou escrever.

Cria histórias para mudar rumos.
Assim, muda o próprio itinerário.
Se renova a cada dia.

Mas ela também aprendeu a ouvir o silêncio.
A tirar do vácuo o som perfeito de palavras perfeitas.
Quando dá por si, já levou consigo partes de todos.

Vai e deixa com todos partes de si.
Eis a menina de sorriso confortante,
abraço fácil,
olhar transparente
e alma sincera.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

As (quase) invisíveis.

Sentada no canteiro central da avenida, a mulher sorria.
Olhava para o céu e sorria.
Mirava o barraco de plástico sustentado por uma corda de varal e sorria.
Deixava um mar de gente intrigada.

Dos milhares que passavam por ela, poucos entendiam o porquê da alegria.
Mas a razão estava ali, ao lado.
E era acariciada enquanto engolia um pedaço de pão.

A cadelinha retribuía carinho.
Dava voltas em torno de si, envolvia a (nova) dona e punha a cabeça no colo da moradora da rua.
Felicidade mútua.
Muito para quem tem pouco-quase-nada.

Uma vez, a tal mulher revelou algo a uma amiga.
Disse chamar-se "só Margarida mesmo".
Uma quase invisível aos "olhos" da avenida.
Agora acompanhada.

Como as flores que (sobre)vivem em locais inóspitos, ela provou que gente também consegue ser feliz com pouco.
Ou quase nada.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O rei da deselegância.

Não sabe o que é um "bom dia".
"Obrigado" e "por favor", então...
Trato é algo inexistente.
Sempre que pode, dispara farpas.
E já fez muita gente chorar nessa "brincadeira".

Grita...chuta...esmurra mesa...esperneia...
Faz de um tudo para chamar atenção.
Mais parece um meninote.

Ele se julga incompreendido.
Desvalorizado.
E é.
Assim como sabe que, se tiver algum destaque, deixa de chamar atenção.
Por isso, pisa.

Ao redor, ninguém aguenta mais.
Descortesia cansa.
Machuca.

Ele vai acabar só.
Vivas ao rei da deselegância.