
setembros costumam ser carinhosos com o rapaz dono desta história. dono, não. locatário. porque da vida nem ela é senhora. as felicidades quem são. e setembros reservam sempre um punhado delas para este moço. mesmo que em doses homeopáticas, dadas de colher pela mão enrugada do tempo. mas este setembro já estava no fim e nada de incomum havia acontecido. nada de esbarrões de destinos. nada de moradas em dias alheios. nada de sorrisos furtivos e retribuitivos. apenas a ausência presente de um som seco, de baque, de queda, imaginado quatro meses atrás. repetindo como num disco riscado. como uma agonia. um ruído só amenizado com o atravessar de uma avenida sob um sol escaldante, um abrir de porta de madeira, um subir de dois lances de escada, um abrir de porta de vidro, um trocar de sorrisos pelo olhar apertado do lado de lá da mesa, um abraço caloroso, um presentear e um palavrear por duas horas. aqueles tempos que escorrem com o vento. ou com um bebericado num cappuccino. ou num café. um café com nome de vitrola num lugar com nome de lua. mas uma nova. nova que nem o amor. mesmo que seja um amor nascido da dor. da morte. um amor renascido. duas verdades, uma em cada esquina. uma de frente pra outra, só à espera. de qualquer coisa. uma ironia. uma cesta de planos. uma latinha de refrigerante com nomes grafados para a eternidade. um engarrafamento de melodias numa embalagem quadrada-redonda cuja imagem é de um piano em explosão. um amor com um caminho inteirinho a trilhar. sem ladeiras. tudo plano. mas com sobressaltos. tudo - apesar do recente - já está na medida do inesquecível. e tudo começou num dia 30. de setembro.