quarta-feira, 6 de novembro de 2013

um reino, duas rainhas.

o reino onde o garoto vive tem duas rainhas. é único por ser assim. elas são gêmeas. siamesas de brandura e bondade. e irmãs de velhice, não de nascimento. quase centenárias. uma enxerga as rugas como marcas deixadas pela vida para lembrá-la do quanto ela caminhou. de como foi capaz de mudar destinos, especialmente o do garoto. a outra ressente-se do andar dos ponteiros. sequer usa relógios. costumava levar um no pulso quando mais nova. toda vez que o consultava, sentia como se o tempo tivesse levado um empurrão. de tão antagônicas, as rainhas tornam-se uma só. se parecem até nos queixumes das dores. como se assimilaram nos saltos de aflições disfarçadas de precipícios-quase-abismos, nos nados sincronizados de felicidades (delas e dos outros, nem que fossem estranhos)...as duas rainhas vivem num castelo verde que nem floresta. porque viver é caminhar na esperança.

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