Envelheceu uma vida em três anos.
Só sofreu enquanto isso.
Não só no corpo.
A alma também foi rasgada.
Ver aquela mulher sempre aflita ajudava no recrudescer.
Deixava os traços pueris do rosto ainda mais sisudos.
E olhe que ela fazia de um tudo para apenas sorrir na frente do pequeno.
Passar mais da metade da curta caminhada pendurado no fio da morte deixou-o assim.
Por mais que houvesse chance de renascer.
Ele lutou.
Além do que pode até.
Foi fortaleza sem qualquer muralha física ao seu redor.
Mas inclusive fortalezas sucumbem.
Sem o pequeno, resta à mulher reconstruir sua própria muralha.
Ela caiu junto com a ida do pequeno.
E isso é coisa que só o tempo trata.
Logo vem o "acostumar" com a saudade.
Deixar de senti-la, jamais.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
A pequena-grande fortaleza.
sábado, 20 de agosto de 2011
O morador do miolo do parque.
Raimundo vive sem luxo algum.
O quarto é miudinho;
o telhado é de amianto.
Só flores rodeiam o lugar.
Mas é à sombra do cajueiro que ele pertence.
Descobriu isso 29 anos atrás, numa das peripécias de um tal destino.
Desde então, tem o verde como vizinho.
Sai...vê o sol...sente a brisa...espia o entrançado de gente...
sente outro sopro de vento...apruma os óculos...respira fundo...
corre pro jardim...e dá uma volta no miolo do parque.
Faz tudo sem precisar sair de casa.
Da família, não tem notícia.
Nem quer.
Habituou-se a ser só.
Acostumou com a saudade de um jeito que ela nem ousa mais qualquer manifesto.
Contudo, o amor está lá...pulsando.
Pela vida.
E sai do peito por nada.
Algo que ele também não quer.
Acostumou com as decisões serem tomadas com base nas batidas do coração.
Aos 78, Raimundo não faz ideia de até quando fica por aqui.
Como diz, isso é coisa que (só) deus decide.
Até lá, porém, vai viver como sempre: com o brilho no olhar e o sorriso no rosto.
Feliz.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Estrela precoce.
O sorriso era só máscara.
Por dentro, o rapaz estava moído.
Até tentou enxergar algo de bom.
E conseguiu em alguns momentos.
Mas não foi o suficiente para continuar a caminhada.
Foi o suficiente apenas para abrir mão de tudo.
Das mãos dadas;
dos encontros furtivos;
dos afagos;
do horizonte prestes a descortinar.
Da vida.
Saltou rumo ao desconhecido.
Preferiu assim a sentir novamente a angústia que lhe sufocava o peito.
Para isso, foi mais corajoso do que o de costume.
Ao invés de contar estrelas aqui embaixo, tornou-se uma.
Daquelas precoces.
E vai brilhar muito.
Para sempre.
Por dentro, o rapaz estava moído.
Até tentou enxergar algo de bom.
E conseguiu em alguns momentos.
Mas não foi o suficiente para continuar a caminhada.
Foi o suficiente apenas para abrir mão de tudo.
Das mãos dadas;
dos encontros furtivos;
dos afagos;
do horizonte prestes a descortinar.
Da vida.
Saltou rumo ao desconhecido.
Preferiu assim a sentir novamente a angústia que lhe sufocava o peito.
Para isso, foi mais corajoso do que o de costume.
Ao invés de contar estrelas aqui embaixo, tornou-se uma.
Daquelas precoces.
E vai brilhar muito.
Para sempre.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O fim dos tempos áureos.
Na infância, já sofria.
Parecia um prelúdio dos anos futuros.
E era mesmo.
Mas a garotinha não tinha como prever isto.
Só certificou-se com o passar do tempo.
Quase tudo na vida levava-a ao choro.
Então...chorou...
Chorou...
Mas calada.
Não reclamava de uma vírgula que o tal de destino punha na sua redação.
Nunca reclamava.
E, ainda assim, no intervalo de uma lágrima e outra, arranjava disposição para sorrir.
Só nos últimos dias teve coragem de confrontar Deus.
Prostrada na cama, disse: "chega! Já sofri demais".
Foi o primeiro e único reclame em mais de oito décadas.
Ontem, descansou.
E deu mais uma lição ao, antes de fechar os olhos, pedir para voltar à serra de onde veio.
Foi Áurea até na despedida.
Fez jus ao nome.
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