sábado, 20 de agosto de 2011

O morador do miolo do parque.

Raimundo vive sem luxo algum.
O quarto é miudinho;
o telhado é de amianto.
Só flores rodeiam o lugar.

Mas é à sombra do cajueiro que ele pertence.
Descobriu isso 29 anos atrás, numa das peripécias de um tal destino.
Desde então, tem o verde como vizinho.

Sai...vê o sol...sente a brisa...espia o entrançado de gente...
sente outro sopro de vento...apruma os óculos...respira fundo...
corre pro jardim...e dá uma volta no miolo do parque.
Faz tudo sem precisar sair de casa.

Da família, não tem notícia.
Nem quer.
Habituou-se a ser só.
Acostumou com a saudade de um jeito que ela nem ousa mais qualquer manifesto.

Contudo, o amor está lá...pulsando.
Pela vida.
E sai do peito por nada.
Algo que ele também não quer.
Acostumou com as decisões serem tomadas com base nas batidas do coração.

Aos 78, Raimundo não faz ideia de até quando fica por aqui.
Como diz, isso é coisa que (só) deus decide.
Até lá, porém, vai viver como sempre: com o brilho no olhar e o sorriso no rosto.
Feliz.

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