sexta-feira, 18 de novembro de 2011

As (quase) invisíveis.

Sentada no canteiro central da avenida, a mulher sorria.
Olhava para o céu e sorria.
Mirava o barraco de plástico sustentado por uma corda de varal e sorria.
Deixava um mar de gente intrigada.

Dos milhares que passavam por ela, poucos entendiam o porquê da alegria.
Mas a razão estava ali, ao lado.
E era acariciada enquanto engolia um pedaço de pão.

A cadelinha retribuía carinho.
Dava voltas em torno de si, envolvia a (nova) dona e punha a cabeça no colo da moradora da rua.
Felicidade mútua.
Muito para quem tem pouco-quase-nada.

Uma vez, a tal mulher revelou algo a uma amiga.
Disse chamar-se "só Margarida mesmo".
Uma quase invisível aos "olhos" da avenida.
Agora acompanhada.

Como as flores que (sobre)vivem em locais inóspitos, ela provou que gente também consegue ser feliz com pouco.
Ou quase nada.

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