quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

vagarosamente.

tem pressa. se deu conta cedo de a vida ser só uma olhadela na escotilha do mundo. e o céu um caminho em qualquer lugar. para qualquer lugar. pudesse, montaria numa pipa vestida de bob marley. cruzaria horizontes. lentamente. atravessaria os próprios sonhos trajando alegria. mas está preso. a si. a ontem. a outro. e tudo é memória. tem doce amargo. um amargo ruim, diferente do chocolate amargo. amado. sabe isso ser desperdício de tempo. o precioso tempo. daí a pressa. mas passado não passado é presente. é vivente. é futuro. é que nem o tempo, que passa. mas fica. deixa visita. (deixa) marca. pudesse, daria nova corda ao relógio. até viver tudo. andarilhar tudo. bisbilhotar tudo. impossível uma só vida para tantos mundos dentro de um mundo. o mundo é redondo, ora mais! roda. se reinventa. morre. desmorre. renasce. se é assim, "a gente também renasce, ué!". tinha certeza disso. mesmo assim, era pressa. via no esperar um negar tempo ao próprio tempo. porque o tempo também se visita. ele só não envelhece. pudesse, colocaria rugas no tempo. só pra ele sentir o peso de si. e desacelerar. pra gente poder espiar pela escotilha do mundo montado em pipas vestidas de bob marley. va-ga-ro-sa-men-te.

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