segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

enfermidade.

ainda não aprendeu a amar o amor. ainda desaparece no outro. ou sonha com o dia desse desaparecimento. ou os dias. porque, no plural, seria ainda melhor. seria indefinitivo (?). ainda enxerga num qualquer a chance de ver a si. ainda espera uma pegada na areia ao lado da sua. ainda sonha com dias anoitecidos num calor e amanhecidos em outro, próximo, saciado. ainda faz traçados de itinerários para sonhos a dois. quem sabe a três? alguns são a longo prazo. daria tempo (?). ainda quer a contramão dos absurdos da solidão. cansou dos benefícios dela, que se tornou medicação um tanto ineficaz para sua enfermidade. a enfermidade do "ainda". ainda brilha o olho ao receber promessas em forma de sorriso. ainda presenteia. e bem recebe afagos em troca. mas gratidão às vezes é sinônimo de frustrante. no dicionário dele, é quase sempre. cauby ainda precisa desaprender muita coisa para aparecer de verdade, enxergar de verdade (e não apenas ver), sonhar com dias de verdade, pegar a contramão real e ter um brilho menos fosco no olho para, assim, ser presenteado. ele precisa desamar para amar. ainda. mas até quando? até?

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