Acanhado, o meninote foi soltando o sorriso aos poucos.
E não parava de perguntar.
Sobre tudo.
Queria saber o porquê de a lente da câmera ser tão grande;
o que tanta gente fazia aglomerada na praça;
se o fotógrafo ia dançar;
se a foto do crachá condizia com quem o carregava no pescoço;
o que as pessoas guardavam no bolso;
t-u-d-o.
Entre uma indagação e outra, pedia para ser clicado.
Foi.
Várias vezes.
Mas não largava o cordão do calção preto com emblema do Corinthians.
Nem deixava de sorrir.
Quando o amontoado de pessoas começou a coreografia, ele, enfim, aquietou-se.
Parecia enfeitiçado.
Deitou num pedaço de concreto inclinado e observou cada movimento.
Não piscou uma única vez.
Os olhos eram só brilho.
No fim, aplaudiu junto com a massa.
E voltou ao interrogatório.
Dessa vez, apenas com o repórter.
Queria saber o porquê de ele não ter dançado;
se ele era ele ou ela;
de onde vinha;
para onde iria dali...
Quando os questionamentos cessaram, Alan abraçou, sorriu, deu as costas e tomou a rua.
Sumiu na multidão.
Com o cordão do calção preto de emblema do Corinthians na boca.
FOTO: Rafael Cavalcante.
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