sexta-feira, 24 de junho de 2011

A noiva no presídio.

A maquiagem era retocada;
o vestido ajustado;
o cabelo aprumado;
o cigarro aceso;
e o perfume redistribuído.

Os portões estavam abertos;
as cadeiras dispostas;
os enfeites no lugar;
os corações grudados na parede;
e o "amor" escrito no centro.

A mulher de branco chegou na hora;
a de azul também;
as demais de branco num instante organizaram-se;
o buquê foi improvisado;
e a ansiedade logo deu espaço ao sorriso.

A juíza aportou;
a declaração foi lida;
as duas disseram "sim";
as assinaturas foram caprichadas;
e as vidas seladas.

Marluce passou seis anos trancafiada;
Andrelina quatro;
e foi nesse ínterim que se cruzaram;
para nunca mais separarem;
seja dentro ou fora da cela.

Porque o crime foi uma maneira inventada pela vida para elas se conhecerem.
E não há quem explique isso.
O torcer pelo amor delas é involuntário.
A qualquer um que enxergue nele o retrato da felicidade.
Independente da origem.

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