segunda-feira, 4 de julho de 2011

O homem do coração dilacerado.

Antônio mal deixava o interrogador falar.
Narrava a história aos atropelos.
Soluçava, enxugava os olhos, respirava e voltava ao enredo.
Enredo trágico.

Apontava para o buraco raso.
E lacrimejava ao ver as garras de ferro apontadas para cima.
Numa delas, evidentes manchas vermelhas.
Sangue.

Ele fez questão de levar o moço ali.
Puxou pelo braço e ficou um bom tempo espiando a fenda.
Sem parar de falar.
A voz esganiçada.
Sempre.

Mas, enfim, deixou a beira do abisminho.
Sete minutos que mais pareceram uma eternidade.
Por mais que o jovem estivesse acompanhado.

No caminho de volta, uma parada.
E outra fisgada no peito.
O asfalto também tinha as tais manchas vermelhas.
Em dois pontos distintos.

Em frente ao que deveria ser um reduto de paz, só se sentia angústia.
De Antônio e outros seis - que deveriam ser sete.
Todos enlutados pela ida precoce de um meninote de oito anos cheio de sonhos.
E feliz.

Ao "inquisidor", só restou ir embora...
...os óculos escuros escondendo os olhos marejados.
Mas ainda bem que foi assim.
Pai, mãe e irmãos já estavam devastados por demais.

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