segunda-feira, 18 de julho de 2011

O pedinte e a gentileza.

De placa no pescoço, o homem estende a mão no sinal.
Todo santo dia é assim.
A mendicância é o que preenchia o dia dele.
E o que coloca comida na mesa.

Antes de o sol nascer, o pouco mais de metro e meio está lá.
Quando tudo fica escuro também.
Parece que sequer dorme.
Recebe não o tempo todo e...não desiste.

Recebeu algo inusitado hoje.
Estranhou.
Virou a cara quando o motorista estendeu-lhe o braço.
E só.
Nada de moedas.

Para evitar outra negativa, ofereceu um aperto de mão.
A reação, porém, assustou.
Habituado a tanta grosseria, o pedinte virou espelho.
Mas sentiu-se mal logo após.

Sentou à beira do canteiro central...
baixou a cabeça...
pensou...
pensou...
E decidiu aceitar o próximo cumprimento.

Contudo, ao tocar a palma do motorista seguinte, só catou moedas.
Nada de gentilezas.
Apenas duas douradas de R$ 0,10.
No fim, pediu um aperto.
Ganhou.
Saiu feliz da vida.

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