Ao neto adolescente, a senhorinha dizia sempre que possível: "a morte é a única certeza da vida".
No início, ele ouvia e calava.
Apenas.
Sequer refletia sobre.
Anos depois, ao ouvir a mesma fala da avó, o rapaz "encucou".
E começou a pensar a respeito.
Se perguntava pelos sorrisos, os abraços de conforto, os descobrimentos.
Pelos olhares sinceros, os beijos, os desejos.
Pelos assaltos à geladeira de madrugada, as piadas bobas (mas necessárias), os silêncios constrangedores.
Pelas sessões devoradoras de brigadeiro, os cinemas com pipoca e refrigerante, as vontades inexplicáveis de cantarolar alto no meio da rua depois de um sonho realizado.
Ahhhh, os sonhos!
Com o tempo, o jovem passou a se perguntar sobre os sonhos.
Questionou também pelas lágrimas, as decepções, as traições sofridas.
E as praticadas.
Pensou ainda sobre as viagens em turma, os gracejos em terrras desconhecidas, as paixões, o coração acelerado ao ver alguém especial, o sexo intenso, a respiração de pé do ouvido.
Tudo isso também não é certeza na caminhada?
E olhe que ele só não vislumbrou mais por estar apenas no começo do itinerário.
Até a tal morte chegar, vai ter vivido tanto!
Mais pro bem do que pro mal.
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